terça-feira, 26 de maio de 2026

Salles e Magalhães puxam para si o aeroporto de Ilhéus

 

A reunião desta segunda-feira na Procuradoria-Geral de Justiça da Bahia não resolveu o problema do aeroporto de Ilhéus. Não havia como resolver em três horas o que se arrasta há mais de uma década. Mas resolveu coisa mais difícil: definiu, em ato público, quem pretende carregar essa pauta dali em diante. E quem decidiu assumi-la ajuda a explicar por que, desta vez, a pauta pode avançar.

O Jorge Amado entrou, faz tempo, na categoria das inconveniências que o sul da Bahia aprendeu a administrar. Cancela porque chove. Arremete porque o vento mudou. Desvia para Salvador, Porto Seguro, Vitória da Conquista. Quem voa para Ilhéus a negócios ou a lazer já incorporou a possibilidade de não chegar. Foram tantos episódios que a região acabou tratando a instabilidade como se fosse característica do clima. Pela primeira vez em muitos anos, a naturalização desse problema parece ter sido politicamente interrompida.

A articulação foi conduzida pelo deputado estadual Eduardo Salles, presidente da Comissão de Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Turismo da ALBA e responsável pela convocação do encontro, e pelo deputado federal Paulo Magalhães, em nome da Câmara dos Deputados. Sentaram-se à mesa, com eles, o prefeito Valderico Júnior, o vereador Paulo Carqueija, o presidente da AMURC, Elder Fontes, e representantes da ANAC, DECEA, Infraero, Aeronáutica, Ministério dos Portos e Aeroportos, Ministérios Públicos Estadual e Federal, Secretaria Estadual de Turismo, SEINFRA, SOCICAM e entidades regionais do turismo.

A composição da mesa já entrega o diagnóstico. Quando um problema só se enfrenta com a presença simultânea de União, Estado, municípios, reguladores aéreos, concessionária e dois Ministérios Públicos, é porque o tema deixou há muito de ser estritamente técnico. É estrutural. E o que é estrutural, no Brasil, é necessariamente político.

O Jorge Amado é hoje a principal porta de entrada aérea da Costa do Cacau e um dos terminais regionais mais movimentados do Nordeste interior. Sua instabilidade não atinge apenas o passageiro que ficou esperando. Atinge hotelaria, comércio, eventos, mercado imobiliário, logística. Quando um voo arremete e a história vai parar nas redes sociais, há dano reputacional silencioso sobre a região inteira. Quando uma aeronave é desviada para outro estado, há um turista que pensa duas vezes antes da próxima reserva. E o que de fato preocupa não é o passageiro que reclama: é o investidor que recalcula.

O que a reunião revela vai além da pauta aeroportuária. O eixo da articulação é, antes de tudo, parlamentar. À frente, dois deputados que hoje pesam no tabuleiro: Eduardo Salles, estadual pelo Partido Verde, e Paulo Magalhães, federal pelo Partido Social Democrático. Ambos compõem a base de Jerônimo Rodrigues na Bahia e de Lula em Brasília. Esse alinhamento é o que torna o gesto desta segunda-feira diferente de tantos outros que não saíram do papel.

Por anos, o aeroporto de Ilhéus foi pauta órfã. Passava de mão em mão, sem padrinho institucional, sem responsável claro, sem acesso garantido a quem decide em Brasília e em Salvador. Isso muda agora.

Eduardo Salles migrou ao Partido Verde em abril, depois de mais de duas décadas em outra legenda. Escolheu como sua primeira pauta de visibilidade na nova filiação justamente uma articulação que conversa diretamente com o Ministério dos Portos e Aeroportos. Paulo Magalhães está em seu sétimo mandato federal consecutivo e é quadro consolidado do PSD baiano, sigla que sustenta Jerônimo no Centro Administrativo e Lula em Brasília. Ter os dois na mesma mesa é, na prática, abrir simultaneamente os dois telefones que sempre ficaram fora do alcance da pauta.

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