Presidente do PT paulista, Luiz Marinho
A cúpula do PT vai elevar o tom e intensificar o enfrentamento político, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja condenado nesta quarta-feira pelo Tribunal Regional Eleitoral da 4.ª Região (TRF-4), em Porto Alegre. “Se condenarem o Lula vão apagar fogo com gasolina”, disse ao Estado o presidente do PT paulista, Luiz Marinho. “Depois, que arquem com as consequências.” Pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Marinho é o terceiro petista a partir para o embate ao comentar a possibilidade de Lula ser impedido de disputar a eleição ao Palácio do Planalto e acabar preso. Há uma semana, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, disse que, para prender Lula, seria preciso “matar gente”, mas depois alegou ter usado “força de expressão”. Em Porto Alegre, o líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ), também deu nesta terça-feira mais um passo na direção do confronto. “Se acham que vão encontrar uma esquerda frouxa, acomodada, podem vir quente que a gente está fervendo”, gritou ele. Nos bastidores, o partido trabalha com a perspectiva de condenação de Lula, mas a ordem é não admitir que poderá ter de trocar de candidato mais adiante. “O Plano A é Luiz Inácio e o Plano B é Lula da Silva”, afirmou Marinho. Para ele, o ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra “falou bobagem” ao dizer, em entrevista ao Estado, que “o campo democrático já tinha de ter construído alternativas” para o caso de Lula não conseguir concorrer. Ex-prefeito de São Bernardo do Campo, Marinho disse ainda ter “um fio” de esperança de que os desembargadores absolverão o ex-presidente. Com o argumento de que não há provas contra o petista no caso do triplex do Guarujá, ele observou que, se “mesmo assim” a sentença do juiz Sérgio Moro for mantida pelo TRF-4, o PT não terá controle sobre as reações da população e pode haver uma “convulsão” social. “A toda ação corresponde uma reação. Por acaso alguém chuta sua canela e você agradece? Nós não estamos falando em pegar em armas, mas não vamos aceitar uma prisão para tirar o Lula da disputa. Ele só pode ser condenado se estuprarem a Constituição e o Código Penal”, insistiu Marinho. Até agora, o ex-presidente responde a seis processos e foi condenado a 9 anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro pelo juiz Sérgio Moro.
Estadão
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