domingo, 2 de outubro de 2016

Favorito, ACM Neto nega plano estadual


Prefeito ACM Neto
Diante da perspectiva de ganhar um segundo mandato em Salvador, ACM Neto (DEM) exercitou, nos últimos dias, o discurso de prefeito que nega campanha velada ao cargo de governador. O neto do senador Antonio Carlos Magalhães (1927-2007) tem à frente uma série de dificuldades para garantir a continuidade de sua escalada na política estadual e nacional. Na avaliação de aliados e adversários, o prefeito só viabilizará uma candidatura competitiva ao Palácio de Ondina em 2018 se preservar os índices elevados de popularidade. Ele depende de um reforço na aliança com partidos para disputar os votos do interior, onde o PT do governador e candidato à reeleição Rui Costa dispõe de uma estrutura forte de coligações e tem a marca dos programas federais de transferência de renda. Do seu lado está por enquanto o PMDB do ministro-chefe da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima. Cotado para uma candidatura ao Senado ou mesmo ao governo, em caso de mudança de rumos, Geddel disse que, no momento, busca apenas reforçar o seu grupo político, que inclui ACM Neto. “O desafio é manter nossa base unida, agregar novas forças e centrar fogo em uma grande gestão em Salvador e em municípios que vencermos.” E desconversa em relação às dificuldades de derrotar Costa e sobre a hipótese de, em outro cenário, se lançar a governador. “Não estou pensando nisso, 2018 está muito longe. Cada dia com a sua agonia.” Em Salvador, o PT não escondeu a fragilidade. O partido aderiu à candidatura de Alice Portugal, do PCdoB. Diferentemente do que ocorre no Rio e em São Paulo, a esquerda da capital baiana está unida. Alice disse que apoiará a reeleição de Costa, mas integrantes do partido observam que a candidatura dela não foi uma concessão do PT, mas o entendimento de que a sigla tem quadros fortes. “A candidatura dela uniu a esquerda baiana”, afirmou a vereadora Aladilce Souza (PCdoB). Na avaliação dela, o momento anima o seu partido a cobrar de petistas uma nova relação de poder no campo “progressista”. Deputada federal no sexto mandato, Alice Portugal tem aproveitado o espaço da campanha para alfinetar o prefeito. Ela avalia que ACM Neto conseguiu rápida popularidade por suceder o prefeito João Henrique, hoje no PR, que após oito anos deixou o município em situação ruim. “Qualquer meio-fio que ACM Neto pintava ganhava votos”, disse. “Durante toda a campanha colocamos com clareza que ele não representa o novo, mas o mesmo pool de oligarquias que infelicitou a Bahia durante 40 anos.” A candidata também atacou as alianças do prefeito. “Ele representa a repressão a camelôs e movimentos sociais, seu grupo se aliou ao que há de mais ortodoxo, que é o PMDB de Geddel Vieira Lima”, afirmou Alice. “ACM Neto não escondeu que tratou a eleição deste ano como o primeiro turno da disputa de 2018.”
Estadão

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