A Câmara dos
Deputados só aceitará votar medidas provisórias (MPs) que chegarem à Casa
faltando no mínimo 15 dias úteis para sua perda de eficácia e que não contenham
matéria estranha a seu objeto ou a este não vinculada por pertinência ou
conexão, os chamados penduricalhos. A decisão foi anunciada na noite dessa
segunda-feira (9) pelo presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves
(PMDB-RN).
Henrique Alves disse
que a tramitação da Medida Provisória 615, que trata entre outras coisas de
benefícios para produtores de cana-de-açúcar e usineiros na produção de etanol
combustível, “expôs de forma flagrante, um desvirtuamento do processo
legislativo que vem se agravando nos últimos anos e que está a merecer uma
reação adequada desta presidência e da Câmara dos Deputados”.
Segundo o presidente
da Câmara, está havendo uma desobediência à Lei Complementar 95/98, que trata
da elaboração das leis, que estabelece no Inciso 2, do Artigo 7º que “a lei não
conterá matéria estranha a seu objeto ou a este não vinculada por afinidade
pertinência ou conexão”. Alves informou, ainda, que o Regimento Interno da
Câmara determina que “nenhuma proposição poderá conter matéria estranha ao
enunciado objetivamente declarado na ementa, ou dele decorrente”.
“Assim, é decisão do
presidente da Câmara que, doravante, com fundamento no Artigo 125 do Regimento
Interno, devolverá à comissão mista a medida provisória, as emendas ou projeto
de lei de conversão que contrariem esses mandamentos legais, para as devidas
adequações”, disse Henrique Alves, após a aprovação da MP 615.
A decisão de Henrique
Alves foi tomada após as insatisfações geradas com a chegada à Câmara da MP 615
na tarde da última quarta-feira, com a inclusão de dezenas de penduricalhos no
texto da MP pela comissão mista que analisou a proposta e também pela falta de
tempo para a discussão e votação da MP. Isso porque o presidente do Senado,
Renan Calheiros (PMDB-AL), tomou a decisão de não aceitar nenhuma medida
provisória que fosse encaminhada ao Senado com menos de sete dias de prazo para
a perda de sua eficácia.
As novas regras
valerão para as medidas provisórias que estão tramitando nas comissões
especiais. Não seguirá o novo rito, a Medida Provisória 620, que dispõe sobre o
financiamento de bens de consumo duráveis aos beneficiários do Programa Minha
Casa Minha Vida, que está na Câmara pronta para ser votada.
Outra MP que não
obedecerá à regra é a 617, que reduz a zero as alíquotas da Contribuição para o
PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
incidentes sobre a receita decorrente da prestação de serviços de transporte
coletivo de passageiros nas modalidades que menciona. Isso, porque ela perde a
validade no dia 27 deste mês caso não seja aprovada.
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